Blog do Eduardo Costa Meu blog pessoal

30Out/112

Onda de Preservação

Recebi esta aqui de meu amigo Flávio. É uma verdade tão "inconveniente" que eu poderia dedicar horas falando do porquê é verdade:

Na fila do supermercado o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”

O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente. "

"Você está certo", responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

Comentários (2) Trackbacks (0)
  1. Melhor que essa só o outro comentário “sério”, do Ronaldinho e da ABL. :-)

    Você sabe que eu não faço nada dessas coisas escotológicas, né? Por dois motivos:

    1. Ainda não vi os números. Ninguém demonstrou que quando X% da população de cada cidade com Y mil habitantes (etc. etc. etc.) o número de sacolas livres em tais lugares A, B, C etc. etc. etc. vai cair M unidades por ano e sumir em K anos (e as consequências se isso não acontecer.) Nem essa conta, nem nenhuma outra. É um tal de poupe-se quem puder que mais parece caça às bruxas.
    2. Não me parece viável mudar o mundo mudando as pessoas. É preciso mudar o mundo para que as pessoas mudem. Assim como a criação do celular permitiu o surgimento do iPhone (e isso mudou as pessoas – vide o WAP se precisar de contra-exemplo), algo precisa ser criado para que seja possível “salvar o mundo” (que não precisa de salvamento – somos nós que vamos morrer se o mundo degringolar.)

    • Concordo. Eu só evito sacola plástica pois tendem a acumular horrores em casa. Quanto ao primeiro ponto, acho que o principal problema não é X% da população, mas sim, o “homem mediano”: aquele que pega duzentas sacolas e descarta tudo na rua. O que leva ao segundo ponto – parafraseando o personagem de Hugh Laurie (House, para os íntimos): “people don’t change”. Se baixar uma lei proibindo sacola plástica, todo mundo passa a usar as retornáveis. Em alguns anos, fica tão normal quanto era ter as garrafas retornáveis.


Leave a comment

(required)


*

Sem trackbacks