Blog do Eduardo Costa Meu blog pessoal

29Mar/112

Java morreu?

Estou chegando à brilhante conclusão de que Java está em coma. Ainda tentando ter um ganha-pão nessa indústria, percebo que o mercado está fraco em Java. Como dica aos iniciantes, eis meu dossiê das tecnologias atuais para desenvolvimento:

  • Java: fácil e barato para começar. Qualquer faculdade hoje tem uma disciplina de Java. Arrumar um primeiro emprego ou estágio é moleza, entretanto, tem que saber tudo (JavaSE, Swing, SWT, JavaEE, Struts 1 e 2, JSF 1 e 2, Seam, JPA 1 e 2, EJB 2 e 3, Hibernate, JDBC, Axis, XML, SQL, HTML, jQuery, etc). E, com milhares de consultorias disponíveis e raras empresas contratando diretamente, significa que você terá a mesma chance de crescer (e verá a mesma rotatividade) da equipe de limpeza ou do café. Não desmerecendo essas profissões, mas nunca vi nenhuma reportagem na Você S/A (ou concorrentes) mencionando: "de terceirizado a presidente". O mesmo está valendo para programador Java agora;
  • .NET: está muito quente. O que não falta é vaga para programador/analista .NET. Não surpreende, pois a evolução de Java está muito lenta enquanto a de .NET voa (já está na versão 4). Como ainda tem muito terreno para aprender e os preconceitos começam a cair, é o momento ideal para quem está começando no mercado - muito melhor que Java, infelizmente. Fazer um CRUD em .NET com o Visual Studio é trabalho de 5 minutos, mas poucos sabem realmente como fazer as tarefas mais incomuns - ou seja, também tem mercado para os bons;
  • SAP e Mainframe: o santo graal da informática. Nem perca dinheiro fazendo cursos para SAP, COBOL, CICS ou afins, pois o mercado sempre pede experiência. É que nem ser um Jedi: você pode tentar aprender o básico pela literatura ou em cursos, mas só um Jedi pode dar o título para outro. O truque é trabalhar em uma empresa mista (SAP/PHP, SAP/Java, etc), entrando pela tecnologia extranet e fazer o impossível para entrar na equipe SAP - lembrando que você não será o único. Se der a sorte de conseguir e ganhar experiência, os salários para SAP e Mainframe são os melhores do mercado. Com a vantagem que, ao contrário de Java, você só precisa saber bem um dos módulos. Imagine só ganhar uns oito mil sendo especialista só em EJBs! Quem dera! Nunca ouvi falar de tal feito em Java;
  • PHP: só para designers e júniores. Outro mercado fácil de entrar e difícil de evoluir. As propostas que pagam melhor em PHP são para webdesigners. E, vez ou outra, o profissional PHP também precisa saber Java. Nem perca tempo se especializando. É uma tecnologia sensacional, leve, quase perfeita. Mas o mercado não adotou como tal. Infelizmente, PHP só tem retorno no mundo OpenSource. No mundo corporativo é mais uma profissão sem futuro;
  • Outras tecnologias opensource "super-legais" (Python, Ruby, etc): geralmente tem grandes méritos, mas o mercado não adotou. Você vai achar uma vaga a cada 300 outras. Talvez tenha uma chance sendo consultor independente, mas vai requerer habilidades de venda, também. Em resumo: se souber boas técnicas de vendas e comunicação (além da própria tecnologia), pode ser uma oportunidade. Se não, desista;
  • Outras tecnologias proprietárias (Oracle Forms, Websphere, etc): mercado muito sazonal. Você verá muitas propostas de substituição aparecendo e, logo depois, sumindo. Se tem carreira nessa área, puxe o saco do chefe, engula todos os sapos, pois recolocar-se não será fácil;
  • Suporte e infraestrutura: para o mercado, uma coisa só. A parte interessante é que sempre terá vagas. A parte triste é que você não cresce nessa profissão. É acostumar-se em rir das baboseiras ditas pelos usuários e considerar isso "bônus".

Em resumo, quem fica dizendo que "informática é a profissão do futuro" está equivocado. No Brasil, você precisa saber muito e aceitar ganhar pouco, pois, infelizmente, existe muito profissional desqualificado no mercado e muita empresa interessada em pagar pouco. Qualidade não é um diferencial.

Oras, se um médico deixa uma gaze dentro do paciente, ele leva um processo violento nas costas, e até tem seus quinze minutos de fama no Jornal Nacional. Se algum "POGramador" cria vinte classes inúteis que só deixam o sistema lento, com bugs e difícil de dar manutenção, ninguém liga.

Não duvido que, em breve, salário de programador seja mínimo ou menos, que nem operador de telemarketing. Mais uma vez não quero desmerecer a profissão, mas já vi propostas de trabalho de quatrocentos reais (isso mesmo, cem reais abaixo do mínimo) e, ontem, uma atendente do Shopping UOL não sabia soletrar exuberante (ela achou que era "ezuberante" ou "esuberante").

Meu conselho? Se você for bom, faz Medicina, Psicologia ou Advocacia.

Comentários (2) Trackbacks (0)
  1. Pura verdade, só não ver quem não quer

  2. Exatamente um ano após esse post, a realidade ainda é bem essa!!


Leave a comment

(required)


*

Sem trackbacks