Blog do Eduardo Costa Meu blog pessoal

29Jan/111

100% Cloud Computing

[Cloud Server]Conheci Cloud Computing com Davi, na época diretor de TI da empresa na qual eu trabalhava. Desde então, tenho me interessado no assunto. Na época, acho que o exemplo mais sério que havia era o Google App Engine. Não vi muito retorno em uma nuvem que só provê o servidor de aplicação. Hoje também existe o BigTables para a base de dados, e meu ex-padawan Nelson tem usufruído bem da infraestrutura de Cloud da Google.

Eu, por outro lado, fiquei fiel aos serviços de Cloud Computing da Amazon. Meu primeiro contato foi com o Amazon Simple Storage Service (S3), que utilizei para guardar versões digitais dos meus principais documentos. Custou apenas US$ 0.01 por mês para ter uma cópia com garantia de 99.999999999% de durabilidade, e disponibilidade de 99.99% do tempo.

Algum tempo após, conheci o Amazon Elastic Cloud Computing. Custou US$ 0.10 por hora para ter uma máquina completa, com IP público, Linux com acesso root, totalmente irrestrito. Nessa época, gastar tanto assim não compensava, pois hospedagens Linux custavam R$ 5 ao mês, para alguém com minhas poucas necessidades. Além disso, o site Assembla provinha SVN gratuito e privado sem custo.

A vida era boa, mas os tempos mudaram. Assembla começou a cobrar para manter a privacidade. As hospedagens web começaram a contratar pessoas sem qualificação alguma. Até meus interesses mudaram: eu precisava de algum jeito melhor para fazer backup, armazenamento de arquivos, e, o principal: eu precisava de um computador novo.

Com minha esposa fazendo faculdade, fez-se necessário ter dois computadores em casa. Aproveitei a oportunidade para testar um conceito: "cloud desktop", reaproveitando um velho notebook K6-III que eu tenho para emergências. Na época, o Chrome OS ainda era embrionário, então adotei uma medida mais extrema: levantei uma máquina no EC2 e instalei um desktop remoto (nesse caso, o NoMachine). Funcionou com uma maestria incrível! Eu tinha o poder de uma máquina de 1.7GHz em uma máquina de 0.5Ghz.

Em pouco tempo, meus serviços secundários migraram para o EC2. Primeiro, claro, arquivos pessoais. Planilhas, projetos, entre outros foram para discos EBS, facilmente acessíveis onde eu estivesse. Logo após, migrei meus repositórios SVN e abandonei a Assembla. Mesmo depois de comprar um NetBook, esses dados ainda ficaram na nuvem.

[Custo Cloud]Máquinas eram levantadas e terminadas com um clique. Rotinas de backup ficaram cada vez mais práticas e robustas. Só meus blogs ficaram de fora da evolução. Até hoje.

Finalmente, mais de dois anos depois, com conhecimento e poder computacional que nunca imaginei possível ter a preços tão acessíveis, consegui migrar 100% de meus recursos online pra a infra da Amazon.

Alguns dos serviços que tenho hoje:

  • Um servidor Glassfish com uma loja virtual inteira - inclui um servidor Apache HTTPD, MTA, redirecionamentos e afins;
  • Envio e recebo e-mails usando meu próprio servidor IMAP/SMTP - ao contrário dos servidores POP das hospedagens web;
  • Meus dados estão mais acessíveis (para mim), com várias camadas de segurança - inclusive um repositório Mercurial;
  • Recebo todo dia um e-mail com o log das principais informações de acesso. Isso me permite cerrar ainda mais a segurança ao ver as tentativas de acesso anômalo (ex: nada mais de porta 22 para o SSH, além de restrição por usuário/IP);
  • Se precisar, ainda posso contar com meu "Cloud Desktop", que, agora, por ter menos uso, posso me dar ao luxo de usar uma máquina mais poderosa na Amazon;
  • Toda e qualquer tecnologia que preciso testar antes de implantar (ex: meu novo Mantis para projetos pessoais), uso uma máquina específica e descartável;
  • DNS 100% configurável com o Route 53 - além de aprender muito mais sobre esse assunto, ainda tenho agora subdomínios, domínios estacionados, múltiplos domínios, sem limite teórico de quantidade;
  • Tudo isso com direito a backup com um único clique.

Agradeço aos envolvidos pelo pontapé inicial. Ainda tenho muito a evoluir (ex: usar o RDS, SNS, além do novo Beanstalk), mas o que tenho hoje vale muito para mim, principalmente em conhecimento.

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29Jan/110

Em busca do MBA

Momento interessante na minha carreira. Estou aproveitando a oportunidade que me foi dada de um jeito nada agradável para evoluir. Desde que assumi e evolui os sistemas de billing em meu emprego anterior, confirmei o inevitável: meu dia só tem 24h. Não adianta ficar horas a mais todo santo dia, não vale a pena abandonar oportunidades, só por tentar fazer tudo sozinho.

O tempo foi generoso nessa época - quanto mais eu lutava contra os problemas no sistema de billing, mais óbvio era a necessidade de montar uma equipe minha. Depois de quase um ano demonstrando essa situação, consegui finalmente a possibilidade de contratação de um subordinado.

Infelizmente, duas mudanças na diretoria aconteceram nessa época, e meu recém-contratado e treinado trainee foi para outra equipe e eu voltei a ficar só. Alguns meses, por ter um salário alto demais para quem, coincidentemente, não tem equipe, voltei ao mercado.

Agora é hora de abandonar o operacional e partir para cargos que me permitam oficialmente delegar, sem precisar falar: "faça isso, mas confirme com seu chefe". Os passos são claros: primeiro, abandonar a forma velha de pensar. Nada mais de entrevistas na qual mostro que faço milhões de linhas de código por segundo. Ainda continuo com esses superpoderes, mas é hora de procurar um cargo de coordenação, preciso mostrar que sei liderar.

Infelizmente não é tão fácil quanto parece. Mostrar que sei sem ter como provar (sem, pelo menos, ferir egos) é complicado, principalmente num país no qual recrutadores não tem interesse em potencial latente, só aparente. O que fazer, então? Ainda elementar: procurar um serviço de recolocação (Thomas Case, Michael Page, etc) e, principalmente, fazer um MBA.

Finalmente um MBA. Agora que tenho tempo de carteira, posso procurar um que me agrade, em um horário acessível e que caiba no meu bolso atual (alguns custam o equivalente a um carro).

A parte difícil, sem dúvida, é conciliar os requisitos, ainda mais quando precisamos considerar também o credenciamento da faculdade. Encontrei uma que oferece uns 20 cursos diferentes de MBA, mas só tem permissão para operar com Pedagogia. Ou seja, o mercado de "pós" tem tantas armadilhas quanto o de graduação.

Para evitar problemas, basta procurar no MEC pelas entidades que tem autorização para cursos superiores de Administração. Pela lei, a faculdade que pode ensinar Administração na graduação, o pode na pós-graduação do mesmo tipo e, especificamente para esse curso, também ministrar MBA (que o MEC entende como curso administrativo).

Ainda não tomei nenhuma decisão, mas o futuro parece bem mais promissor agora.

27Jan/112

Demissão em empresa privada

Quase três anos atrás, falei sobre a experiência de pedir demissão em uma empresa pública. Bem burocrático, com muito papel transitando. Hoje, mordo minha língua, pois, embora aparentemente sem sentido, acho que prefiro essa bagunça com papel sem fim lucrativo à desordem que estou passando depois de ser demitido (sem justa causa) por "cortes no orçamento".

Ainda guardo certa indignação, pois agora todo o núcleo da empresa ficou na mão de trainees. Até o trainee que ficou com meus sistemas (que Deus tenha piedade dele) disse no dia: "muito melhor seria demitir a mim e mais dois juniores". O cálculo, feito por ele, é simples: de que adianta manter três pessoas que levam uma semana para fazer o serviço se você pode ter o mesmo serviço feito em um dia pelo mesmo valor por uma única pessoa?

Mais uma vez cito Andrew Tanenbaum, que, em seu livro de Sistemas Operacionais, disse que uma mulher faz um filho em nove meses - mesmo se colocar nove mulheres fazendo o serviço, o prazo continuará sendo nove meses.

Se a filosofia do "manter três fazendo o serviço em cinco vezes mais tempo" é tão viável, por que não demitir os gerentes e diretores para colocar alguns estagiários de administração para fazer o mesmo serviço?

Como se não bastasse o motivo mal-explicado, ainda estou quase um mês esperando para eles depositarem o FGTS para poder fazer a homologação com o sindicato, para finalmente, fazer como a maioria dos brasileiros e "mamar nas tetas do governo". Claro que não vou viver de seguro-desemprego, mas, pelo menos, vou poder sacar meu FGTS.

Alias, falando em FGTS, dois fatos interessantes. O primeiro assusta: reparei no extrato do FGTS que o rendimento mensal é de mîseros 0.2%! Sim, 2‰! Consegue ser menor que a metade da poupança! Ou seja, o dinheiro que eu tenho referente às duas primeiras empresas que trabalhei desvalorizou (e muito)! Mal posso esperar para dar um destino melhor. Ironicamente até a poupança consegue render mais.

Outro fato interessante: eu deveria ter notado o nível de bagunça financeira do meu ex-empregador quando eu recebi o extrato do FGTS em casa e vi que eles SEMPRE depositam o FGTS com atraso. Ou seja, se é mais interessante, economicamente falando, gastar todo mês 5% a mais na folha de pagamento a titulo de multa por atraso (ou 10% se atrasar dois meses), definitivamente não vale a pena manter o funcionário responsável por renovar todo o parque de software de desenvolvimento, economizar algumas centenas de milhares de reais em middleware e consultoria, e otimizar em 1200% (sim, mil e duzentos) o sistema que calcula (em regime de 24x7) o equivalente a nove milhões de registros por dia. Sistema esse que agora está na mão de um trainee cujo principal mentor foi demitido.

Sim, tudo parece muito lógico e impessoal para mim.

4Jan/110

Deus salve a rainha

Começo a entender a devoção britânica à rainha-mãe. Acabei de descobrir que, perante a lei australiana, os criadores da intragável powerbalance (uma pulseira plástica que dizem ter poderes mágicos de aumentar o equilíbrio) foram obrigados a colocar no site deles uma nota avisando que "não existe prova científica que suporta nossas afirmações".

Ou seja, não só existem estudos científicos "duplo-cego" que provam que esse pedaço plástico não funciona, como ainda eles são obrigados a admitir que fizeram propaganda enganosa! Lindo, lindo! Ciência 1, charlatões 0.

Trandução do texto do site:

"Em nossa propaganda, dizemos que as pulseiras PowerBalance melhoram sua força, balanço e flexibilidade.

Admitimos que não existe evidência científica que suporte nossa afirmações e, assim sendo, nós nos enquadramos no artigo de conduta mentirosa do S52 do Ato de Práticas de Comerciais de 1974."