Blog do Eduardo Costa Meu blog pessoal

21Mar/100

Fedora 12 em um Acer Aspire One

Meses atrás fui meio "obrigado" a trocar de notebook (o anterior estava, literalmente, com alguns parafusos soltos), comprei um netbook Acer Aspire One, daqueles com disco flash, ao invés de HD. O linpus que veio com ele era muito bom - rapido, intuitivo.

Embora seja baseado no Fedora e eu consiga usar o yum para instalar alguns softwares básicos, esbarrei na hora de instalar o gcc (quem sou eu sem um compilador C decente?)

Decidi, então, tirar um backup do sistema original para instalar um Fedora 12. A instalação pelo liveusb foi tranqüila e, ouso dizer, rápida. Na wiki do Fedora, tem um artigo sobre instalação e otimização em um Acer Aspire.

As dicas funcionam bem, mas algumas coisas ficam diferentes, comparadas com o Linpus:

  • SELinux e IPV6 são cruéis quanto a performance. Desativar os dois aumenta muito a velocidade do sistema;
  • A luz de wireless só fica acesa quando existe tráfego (que nem a luz de uma placa de rede de um Desktop);
  • O botão de ligar/desligar o wifi funciona, por isso, recomendo configurar a conexão com o NetworkManager e ligar a ativação automática. Deste jeito, a conexão fica parecida com a do Linpus, exceto pelo ícone que não aparece na tela ao apertar o botão;
  • A configuração do GRUB original tem dois parâmetros a mais (loglevel=1 nolapic_timer), mas a configuração mais importante é sched=0, para desligar o escalonamento de disco (já que não existe delay mecânico em discos flash);
  • Pulseaudio não funciona nem amarrado. Infelizmente, precisa desativá-lo para voltar ao ALSA. Descobri que qualquer atraso no CPU torna o audio do PA um monte de ruído. Ou seja, tocar MP3 funciona, mas vídeos (principalmente Flash), não;
  • Gnome é muito legal, mas é pesado, com muitas tarefas em background. Mesmo com dois cores, o sistema fica intermitente e sempre com o ventilador do CPU ligado, até quando ocioso. Mudando para o XFCE reduz o consumo (a ventoinha nem liga mais) e mantém os recursos gráficos;
  • Para a alegria da Apple, Flash parece coisa do capeta. Qualquer acesso ao YouTube fica impraticável com vídeos maiores, pois um core fica ocupado com o navegador e outro, com o Flash (cada um, a impressionantes 40%, mesmo em pausa). É mais fácil usar o NetVideoHunter para baixar e ver o FLV offline;
  • Ainda não consegui configurar os indicativos visuais de aúdio no XFCE, mas nem faz tanta falta assim ver um ícone bonito toda vez que mudar o volume.

No geral, o netbook, embora aparentemente limitado, quando comparado a um notebook (ou a um desktop), funciona tão bem quanto e até melhor. Com três horas de bateria (que caem para duas e meia com Wifi, som e vídeos), mais uma rede sem fio incrivelmente rápida (atingindo fácil 1 megabyte), consigo fazer de tudo - até programar com o NetBeans.

Tirando o fato de que uma ou outra aplicação não foi testada em resoluções de 600 linhas, estou gostando mais do netbook. Posso trabalhar no sofá, assistindo "Star Trek: Deep Space 9", colocar o sistema em Stand By para pegar algum petisco, e até usá-lo em "certos cômodos", para não perder a linha de raciocínio.

21Mar/100

Utilizando o Google Notas com XP

Dentre as várias vantagens que vejo no Extreme Programming, creio que o núcleo delas seja a simplicidade. Ao contrário de muitas metodologias, você não precisa de caríssimas ferramentas para fazer seu trabalho: somente um bloco de papel, um editor, um compilador e um framework de testes são necessários.

Sem diagramas de interpretação dúbia nem documentos desatualizados que ninguém lê. Os desenvolvedores só precisam desenvolver o código, documentá-lo com comentários (incluindo JavaDoc ou similar), e, se desejável, gravar as "User Stories" (escrever é obrigatório - manter gravado, nem tanto).

Uma "User Story" é similar a um "Caso de Uso" do RUP. Não obstante, são mais simples (ou seja, menos burocráticos), e, o mais importante, são escritos pelo cliente, usando termos orientados ao negócio do cliente.

Como, infelizmente, nem sempre é possível contar com o cliente para estar sempre ao nosso lado para escrever todas as "User Stories", podemos usar saídas alternativas. Uma delas, que descobri ao acaso graças ao iGoogle, é o Google Notas.

Trata-se de um editor de notas incrivelmente simples e eficaz. Ele edita pequenas notas, contraindo-as para a primeira linha para economizar espaço visual, agrupando-as em blocos e seções.

Como eu precisava de um meio não-físico para escrever algumas stories, decidi escrevê-las no Google Notas. Serviu como uma luva: criei um bloco para o projeto, escrevi cada story em uma nota e, depois, agrupei-as conforme cada iteração ia surgindo. Ativando o compartilhamento, todos os interessados teriam acesso.

Ou seja, o cliente pode entrar no Google Notas em qualquer lugar com acesso à Internet, escrever as stories, priorizar e disponibilizar à equipe de desenvolvimento. Liberando o cliente para participar de uma reunião somente para tirar eventuais dúvidas na hora de redigir as tarefas e escolher a próxima iteração.