Blog do Eduardo Costa Meu blog pessoal

29Mar/100

Big f***ing fail do Firefox

Sempre tive "A" capacidade para afundar sistemas. Nada maldoso - estou mais para aquele cara de "Loucademia de Polícia" que vai derrubando tudo pelo caminho. Já achei bugs que afundaram sistemas em todas as fases possíveis: desde o negócio, passando por requisitos, análise, programação, testes, implantação, e, claro, pós-produção. Nada mais legal que ver o sistema afundando feito cocô na privada bem no instante após entregar para o cliente!

Dessa vez, minha vítima foi o Firefox. Sempre fiquei intrigado em saber como ainda tem criaturas míticas que conseguem achar bugs nesse sujeito. E, claro, com minha habilidade sobre-humana, eu entrei para esse hall da liga.

O meu bug, com número 555504, é simples, porém, elegante. Se você digita algum termo que não é nem URL nem um domínio válido na barra de endereços do FF, este executa uma pesquisa "I feel lucky" no Google, que, por sua vez, traz o primeiro resultado automaticamente. Até a aí, mil maravilhas.

Outro recurso curioso é: se um site for cadastrado como malicioso, o navegador normalmente abre uma tela vermelho-sangue informando que esse site é do mal, etc e tal.

Perfeito! Coisa de navegador seguro. Ou não? Experimente arrumar uma combinação de termos de pesquisa "lucky" que envie para um site malicioso. Resultado? Tela vermelha? Não! O FF abre direto! Passe livre para os bastidores! Yikes!

Até agora, o bug ainda está como "não confirmado", mas creio que vai dar trabalho testar isso - afinal, não é fácil arrumar uma combinação tão curiosa de parâmetros.

Mais nerd que achar falha de segurança no Firefox não conheço!

21Mar/100

Fedora 12 em um Acer Aspire One

Meses atrás fui meio "obrigado" a trocar de notebook (o anterior estava, literalmente, com alguns parafusos soltos), comprei um netbook Acer Aspire One, daqueles com disco flash, ao invés de HD. O linpus que veio com ele era muito bom - rapido, intuitivo.

Embora seja baseado no Fedora e eu consiga usar o yum para instalar alguns softwares básicos, esbarrei na hora de instalar o gcc (quem sou eu sem um compilador C decente?)

Decidi, então, tirar um backup do sistema original para instalar um Fedora 12. A instalação pelo liveusb foi tranqüila e, ouso dizer, rápida. Na wiki do Fedora, tem um artigo sobre instalação e otimização em um Acer Aspire.

As dicas funcionam bem, mas algumas coisas ficam diferentes, comparadas com o Linpus:

  • SELinux e IPV6 são cruéis quanto a performance. Desativar os dois aumenta muito a velocidade do sistema;
  • A luz de wireless só fica acesa quando existe tráfego (que nem a luz de uma placa de rede de um Desktop);
  • O botão de ligar/desligar o wifi funciona, por isso, recomendo configurar a conexão com o NetworkManager e ligar a ativação automática. Deste jeito, a conexão fica parecida com a do Linpus, exceto pelo ícone que não aparece na tela ao apertar o botão;
  • A configuração do GRUB original tem dois parâmetros a mais (loglevel=1 nolapic_timer), mas a configuração mais importante é sched=0, para desligar o escalonamento de disco (já que não existe delay mecânico em discos flash);
  • Pulseaudio não funciona nem amarrado. Infelizmente, precisa desativá-lo para voltar ao ALSA. Descobri que qualquer atraso no CPU torna o audio do PA um monte de ruído. Ou seja, tocar MP3 funciona, mas vídeos (principalmente Flash), não;
  • Gnome é muito legal, mas é pesado, com muitas tarefas em background. Mesmo com dois cores, o sistema fica intermitente e sempre com o ventilador do CPU ligado, até quando ocioso. Mudando para o XFCE reduz o consumo (a ventoinha nem liga mais) e mantém os recursos gráficos;
  • Para a alegria da Apple, Flash parece coisa do capeta. Qualquer acesso ao YouTube fica impraticável com vídeos maiores, pois um core fica ocupado com o navegador e outro, com o Flash (cada um, a impressionantes 40%, mesmo em pausa). É mais fácil usar o NetVideoHunter para baixar e ver o FLV offline;
  • Ainda não consegui configurar os indicativos visuais de aúdio no XFCE, mas nem faz tanta falta assim ver um ícone bonito toda vez que mudar o volume.

No geral, o netbook, embora aparentemente limitado, quando comparado a um notebook (ou a um desktop), funciona tão bem quanto e até melhor. Com três horas de bateria (que caem para duas e meia com Wifi, som e vídeos), mais uma rede sem fio incrivelmente rápida (atingindo fácil 1 megabyte), consigo fazer de tudo - até programar com o NetBeans.

Tirando o fato de que uma ou outra aplicação não foi testada em resoluções de 600 linhas, estou gostando mais do netbook. Posso trabalhar no sofá, assistindo "Star Trek: Deep Space 9", colocar o sistema em Stand By para pegar algum petisco, e até usá-lo em "certos cômodos", para não perder a linha de raciocínio.

21Mar/100

Utilizando o Google Notas com XP

Dentre as várias vantagens que vejo no Extreme Programming, creio que o núcleo delas seja a simplicidade. Ao contrário de muitas metodologias, você não precisa de caríssimas ferramentas para fazer seu trabalho: somente um bloco de papel, um editor, um compilador e um framework de testes são necessários.

Sem diagramas de interpretação dúbia nem documentos desatualizados que ninguém lê. Os desenvolvedores só precisam desenvolver o código, documentá-lo com comentários (incluindo JavaDoc ou similar), e, se desejável, gravar as "User Stories" (escrever é obrigatório - manter gravado, nem tanto).

Uma "User Story" é similar a um "Caso de Uso" do RUP. Não obstante, são mais simples (ou seja, menos burocráticos), e, o mais importante, são escritos pelo cliente, usando termos orientados ao negócio do cliente.

Como, infelizmente, nem sempre é possível contar com o cliente para estar sempre ao nosso lado para escrever todas as "User Stories", podemos usar saídas alternativas. Uma delas, que descobri ao acaso graças ao iGoogle, é o Google Notas.

Trata-se de um editor de notas incrivelmente simples e eficaz. Ele edita pequenas notas, contraindo-as para a primeira linha para economizar espaço visual, agrupando-as em blocos e seções.

Como eu precisava de um meio não-físico para escrever algumas stories, decidi escrevê-las no Google Notas. Serviu como uma luva: criei um bloco para o projeto, escrevi cada story em uma nota e, depois, agrupei-as conforme cada iteração ia surgindo. Ativando o compartilhamento, todos os interessados teriam acesso.

Ou seja, o cliente pode entrar no Google Notas em qualquer lugar com acesso à Internet, escrever as stories, priorizar e disponibilizar à equipe de desenvolvimento. Liberando o cliente para participar de uma reunião somente para tirar eventuais dúvidas na hora de redigir as tarefas e escolher a próxima iteração.

20Mar/101

Como escolher uma boa faculdade

Depois de ver minha esposa sofrendo horrores por causa da desorganização e má-fé da faculdade em que ela tentou fazer um curso superior (UNIP), decidi publicar umas dicas para ajudar outras pessoas a não caírem na mesma armadilha.

Só faça um curso não-presencial se você for um excelente auto-didata (ou se já for profissional da área e quiser comprar um diploma).

Não caia na armadilha de não ter tempo para fazer uma faculdade presencial. Você invariavelmente precisará de tempo para estudar, fazer prova, exercícios, etc. Além disso, é muito mais fácil e produtivo perguntar a um professor fisicamente presente do que perguntar a um "monitor" que, muitas vezes, nem fez o curso. Já vi caso de monitor de turma de Administração que nem é formado!

Tamanho não é documento.

Parece clichê, mas é verdade. UNIP e COC são duas faculdades enormes, mas o quadro de funcionários não comporta tal estrutura. Surpreendentemente, no curso de Administração da UNIP, só existem duas pessoas corrigindo as "atividades complementares" do Brasil inteiro. Faça as contas: uma turma de 50 pessoas por semestre, 8 semestres, 26 estados significam mais de dez mil pessoas para o curso inteiro. Ou seja, cada pobre coitado precisa corrigir cerca de cinco mil avaliações.

Verifique se o garoto-propaganda fez a faculdade

Não incomumente, alguma faculdade contrata um ator da vênus platinada para ser o garoto-propaganda (ou garota-propaganda). Entretanto, de que adianta seu ator favorito falar bem da instituição se ele nem fez um curso lá? Recebendo uma boa grana fica fácil dizer que o curso é maravilhoso!

Se a esmola é grande demais, até o santo desconfia

Tome cuidado com faculdades que dão muitos descontos e promoções. Tem uma faculdade que dá cursos supostamente gratúitos. Basta pagar a matrícula que o resto é na faixa. Isso é: de graça até que você não passe em uma matéria. Daí, vais ter que pagar quinhentão por mês. Exato! Se, em quatro anos, você cometer um pequeno deslize (ou até se eles trocarem sua nota dez por uma nota cinco), adeus bolsa. E, como se não bastasse, perde a bolsa pelo resto do curso - sem repescagem no semestre seguinte!

Veja a grade curricular

Algumas entidades só dão acesso à grade curricular após a matrícula. Descarte essas logo de cara. Oras, se você estivesse comprando uma TV de plasma de 70 polegadas em suaves 48 prestações, claro que você vai querer ver tudo sobre o produto antes!

Verifique o nome e o conteúdo das matérias

Fiquei surpreso com a falta de criatividade de algumas faculdades. Tem uma cujo curso de Relações Públicas tem nada menos que OITO disciplinas de "Atividades Individuais" (do I ao VIII). Percebeu o paradoxo? O curso de RP se baseia em relações humanas, mas esse profissional passará um sexto do curso fazendo "atividades individuais". Além disso, o que seria essa "atividade individual"? Basicamente, um artifício da faculdade para deixar um "buraco" na grade. Daí, basta eles preencherem com o que quiserem, sem mudar a grade. Ex: em um semestre, "Atividades Individuais VII" pode falar sobre "etiqueta empresarial", enquanto, para a turma seguinte, pode ser "empreendedorismo".

Cuidado com as disciplinas não-relacionadas

Existem disciplinas que você acha que não vai usar em sua vida profissional (ex: Física em um curso de Ciências de Computação). Entretanto, existem algumas que simplesmente não fazem qualquer sentido. Que tal aprender libras em um curso de administração? Afinal de contas, um administrador sempre necessitará se comunicar com surdos-mudos.

Evite o sistema de "DP"

Existe algum sentido em aprender "matemática avançada" sem ter nota mínima em "matemática básica"? Algumas faculdades adotaram um sistema similar ao de escolas estaduais, no qual o aluno sempre avança nas disciplinas, mesmo sem ter merecido. Embora seja tentador, evite. No meio do curso você ficará com a sensação letárgica de quem não aprendeu o básico e precisa entender o avançado.

Se você não aprendeu a somar frações, nem tente aprender estatística. Será uma perda de tempo e dinheiro. Prefira faculdades que tem um sistema independente de disciplinas. São fáceis de identificar: na grade curricular, cada matéria tem uma lista de outras que são pré-requisitos. Ex: "Cálculo II" depende de "Cálculo I".

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